Terça, 07/01/2008 - 11:02 — admin
Monica Seles nasceu em Novi Sad, a 2 de Dezembro de 1973. Começou a jogar ténis com seis anos de idade e era treinada por seu pai, Karolj Seles. Venceu o seu primeiro torneio com nove anos. Em 1985, com onze anos, venceu o prestigiado torneio Orange Bowl (ganho este ano pela portuguesa Michelle Larcher de Brito) em Miami, na Flórida. Com esta vitória despertou a atenção do mais prestigiado treinador de ténis do mundo, Nick Bollettieri. Um ano mais tarde, Monica e a família mudam-se para os Estados Unidos e Monica passa a treinar na Nick Bollettieri Tennis Academy.
Disputou o seu primeiro torneio oficial em 1988, aos 14 anos. No ano seguinte torna-se profissional e, em Maio, conquista o primeiro título da sua carreira em Houston, batendo Chris Evert na final. Um mês mais tarde, na sua estreia num Grand Slam, em Roland Garros, perdeu nas meias-finais com a número 1 do mundo, Steffi Graf. Seles terminou o seu primeiro ano como tenista profissional em 6º lugar no ranking mundial.
Com potentes esquerdas e direitas (ambos os golpes efectuados a duas mãos) e uma excelente resposta ao serviço, Seles foi considerada a primeira jogadora “em força” do ténis feminino.
Esta sérvia, tornou-se também famosa pelos seus ruidosos gemidos emitidos enquanto batia na bola. Tal vício valeu-lhe inúmeras chamadas de atenção por parte dos juízes (para que fizesse menos barulho) e muitas das suas adversárias chegavam mesmo a queixar-se que não conseguiam concentrar-se com o barulho produzido pela jogadora.
Como podemos constatar na tabela acima, venceu nove títulos do Grand Slam. Tornou-se a mais jovem campeã de Roland Garros (1990 – 16 anos e 6 meses). 1991 foi o primeiro de dois anos em que Seles dominou por completo o circuito feminino. Começou por vencer o Open da Austrália (em Janeiro), derrotando Jana Novotná na final. Em Março, destronou Graf da liderança, defendendo mais tarde com sucesso o seu título em Roland Garros, frente à anterior vencedora mais nova, a espanhola Arantxa Sánchez Vicario. Após esta vitória esteve seis semanas sem competir devido a uma lesão na canela, não disputando, por isso, o torneio de Wimbledon. Contudo, recuperou a tempo de disputar o Open dos Estados Unidos, torneio que venceu após derrotar, na final, Martina Navratilova, cimentando, deste modo, a sua liderança no ranking mundial. Ajudou ainda a Jugoslávia a vencer a Taça Hopman.
No ano de 1992 foi igualmente dominante. Defendeu (com sucesso) os títulos do Open da Austrália, de Roland Garros e do Open dos Estados Unidos. Chegou ainda à final do torneio de Wimbledon, perdendo para Graf.
Entre Janeiro de 1991 e Fevereiro de 1993, Seles venceu 22 títulos e disputou as finais de 33 dos 34 torneios em que participou. Acumulou um impressionante recorde de 159 vitórias e apenas 12 derrotas (92.9% de vitórias), incluindo uma série de 55 vitórias e 1 derrota em torneios do Grand Slam.
Como já referimos, a sua grande rival era Steffi Graf. Foi num jogo, em Hamburgo, a 30 de Abril de 1993, que um fã da alemã aproveitou a falta de cuidado da segurança e esfaqueou Seles durante a partida dos quartos-de-final deste torneio. Seles vencia por 6/3 e 4/3 e descansava no intervalo do sétimo para o oitavo jogo. Nessa altura, Parche (o fã de Steffi Graf), saiu do seu lugar numa das primeiras filas da arquibancada, invadiu o sector destinado aos atletas e esfaqueou Seles na altura do ombro. Sentiu um forte golpe nas costas e caminhou atordoada para a frente, segundos depois, um grito emudeceu o court central – caía ali a líder do ranking mundial e uma das maiores tenistas da história do ténis feminino. (a partir deste episódio a WTA intensificou o sistema de segurança em todas as competições)
Por sorte, Seles escapou ilesa a este atentado, pois no momento do ataque, agachou-se para pegar a toalha – foi o que a salvou. Só voltou a competir dois anos mais tarde, mas nunca com o mesmo brilho que emanava até então. Voltou a ter algum sucesso em 1996, ao vencer o Open da Austrália.
Seles nunca mais voltou a disputar qualquer torneio na Alemanha. Mesmo quando o autor do atentado foi levado a julgamento, Monica não compareceu, enviou apenas uma carta onde dizia “Só quero justiça. O ataque destruiu a minha vida e parou a minha carreira. Tinha 19 anos. Ele não teve sucesso em matar-me, mas destruiu a minha vida”. O objectivo do ataque era que a alemã Steffi Graf (de quem era fã) voltasse à liderança do ranking mundial, o que aconteceu no mês seguinte. Contudo, Graf não comemorou e lamentou assumir a liderança em tais circunstâncias.
Monica Seles encerrou a sua carreira em 2003.